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Luiz Girard é graduado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela FEI, com especialização em Engenharia Kaizen pela Efeso Consulenza/Pirelli, pós-graduado em Administração Industrial e Financeira pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini da Universidade de São Paulo (FCAV/USP) e tem MBA em Marketing de Serviços, também pela USP. Professor universitário de Administração e Gestão de Negócios, Gestão Empresarial, Marketing e de Metodologias (Lean Manufacturing, Total Plant Management e Six Sigma, entre outras), ele possui experiência de 20 anos nas áreas de manufatura (Processos, Qualidade, Logística e Operações) e de negócios (Produtos, Finanças, Comercial e Marketing). Girard atuou na Cofap, Pirelli, Credicard, Orbitall, Credigy e Kaizen. Desde 2008, é o responsável pela gestão financeiro-administrativa, de pessoas, de tecnologia da informação, gestão jurídica, marketing, governança corporativa e planejamento estratégico do grupo Trends Tecnologia.

05/01/2010


TECNOLOGIA


Trends ignora a crise e cresce 112% em 2009



 Holding brasileira aumenta o quadro de funcionários em 25%


Por Wagner Belmonte e Beno Suckeveris

É praticamente impossível para quem circula por São Paulo não encontrar equipamento ou programa desenvolvido pela Trends Tecnologia utilizado pelos modais de transporte público. A empresa está presente, por exemplo, nas máquinas de autoatendimento do cartão de bilhete único espalhadas pelas estações do metrô e de trens metropolitanos, e nos painéis que informam aos passageiros o tempo previsto para a chegada de determinado ônibus por corredores como o da Avenida 9 de Julho.

A Trends Tecnologia terminou 2009 com crescimento do faturamento de 112%. Nada mal para um grupo que tem apenas 15 anos, opera em seis Estados, no Distrito Federal, na Venezuela, na Argentina e na Colômbia e, em plena crise financeira internacional, aumentou o quadro de funcionários em 25%.

Entre os principais clientes estão as companhias dos metrôs de São Paulo, Fortaleza, Goiânia, Porto Alegre e Recife; as prefeituras de São Paulo, Guarulhos, Osasco, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Campinas; a empresa de trens metropolitanos de São Paulo (CPTM) e concessionárias de rodovias paulistas, como Artesp e Dersa.

Expansão - A organização está otimista quanto a 2010. A previsão é quadruplicar o faturamento em relação ao apurado em 2007. Motivos para isso não faltam. O grupo participa de algumas das principais obras em andamento pelo País. Integra o consórcio com a portuguesa Efacec e a americana Ansaldo STS, que firmou contrato de US$ 117,2 milhões para modernizar os sistemas de sinalização, alimentação elétrica e telecomunicação de duas linhas da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Com a Poscon, da Coréia do Sul, produz portas de plataforma. Fornecerá ainda sistemas de transmissão de dados, de ventilação e de energia para o metrô paulistano. São contratos que somam US$ 47 milhões. Para os metrôs de Recife e Fortaleza, vai entregar 45 veículos leves sobre trilhos (VTLs) movidos  a diesel, fabricados no Brasil em parceria com a Bom Sinal. Os valores são de US$ 13,6 milhões no caso da capital pernambucana e de US$ 14,1 milhões para a capital cearense. A Trends fornecerá o sistema de telecomunicação e multimídia para o metrô de Porto Alegre (US$ 5,8 milhões). Com as chinesas CRC/CMC, a holding vai modernizar os trens da Supervia, a concessionária do serviço ferroviário da região metropolitana do Rio de Janeiro. Em São Paulo, ela participa da construção do trecho sul do Rodoanel.

A Trends Tecnologia também está atenta aos novos negócios decorrentes dos vultosos investimentos públicos e privados que serão necessários para a infraestrutura dos grandes eventos da década, como a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016.

Trem-bala - Uma das obras, a construção e concessão do trem de alta velocidade (TAV), o trem-bala, entre Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, a um custo estimado de R$ 34,6 bilhões, interessa particularmente à Trends, que representará a o consórcio sul-coreano na licitação aberta em dezembro de 2009.

De acordo com as regras definidas pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), vence a concorrência quem oferecer menor tarifa e captação de financiamento público menor. A tarifa da classe econômica não poderá superar os R$ 252 e o teto para a 1ª classe é R$ 441. O financiamento público previsto é de R$ 20,8 bilhões.

O TAV terá três estações terminais: no Campo de Marte (São Paulo), em Campinas e em Barão de Mauá (Rio de Janeiro) e seis estações de passagem (Vale do Paraíba Fluminense, Vale do Paraíba Paulista, Aparecida e nos aeroportos do Galeão, Guarulhos e Viracopos). Um túnel de 24km de extensão deverá ligar Caieiras e Guarulhos, na Grande São Paulo.

Tecnologia de ponta - A holding é formada por cinco empresas associadas. A Atex desenvolve equipamentos para autoatendimento, rastreadores de veículos via GPS e opera serviços como carregamento de celulares pré-pagos, além de recarga e consulta eletrônica de cartões “inteligentes”. Só de portadores de bilhetes únicos, cartões que integram a utilização de ônibus, metrô e trem na região metropolitana de São Paulo, o sistema atende cerca de 12 milhões de usuários. Na Venezuela e na Colômbia, atua em sistemas semelhantes.

A Atlantis é especializada em sistemas de controle de veículos rodoviários de cargas e de monitoramento das condições de rodovias. Os programas permitem o gerenciamento terceirizado de cobrança de multas para órgãos públicos e privados. Com parceria argentina, fabrica e desenvolve balanças aqui no Brasil.

A Serviços Digitais (SD) opera sistemas de bilhetagem eletrônica de empresas ligadas ao transporte público de São Paulo. No metrô, por exemplo, é responsável pelos bilhetes do idoso, do desempregado, do deficiente, do estudante e pela recarga de cartão usado nos estacionamentos conveniados.

A Principia desenvolve e integra sistemas exclusivos de softwares para órgãos públicos e privados. Para a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), fornece sistema de fiscalização eletrônica. Para outro cliente, a Secretaria de Turismo de Pernambuco, desenvolveu um programa de inventário turístico.

A Trends Engenharia e Infraestrutura é a principal unidade de negócios. O amplo portfólio está voltado aos segmentos de transportes e segurança. Fornece material rodante (trens e veículos leves sobre trilhos), sistemas de sinalização, monitoramento e supervisão, transmissão de dados, telecomunicações e multimídia, além de portas de plataformas nas estações e centros de controle de segurança para o setor metroferroviário. Ela ainda implanta sistemas inteligentes de transporte, painéis de mensagens variáveis e centrais de monitoramento para corredores de ônibus, terminais rodoviários e rodovias. Desenvolve centros de monitoramento de segurança e controle operacional e outros sistemas de gestão urbana.

A empresa é parceira de companhias de vários países: da Ansaldo STS dos Estados Unidos/Itália vêm os sistemas de sinalização para metrôs e ferrovias. Os trens são produzidos na China. As portas de plataforma, que vão proporcionar mais segurança no embarque e desembarque de passageiros, são da Poscon, da Coréia do Sul. A portuguesa Efacec fornece equipamentos de energia e ventilação. No País, os parceiros são a Bom Sinal, que fabrica veículos leves sobre trilhos (VLT a diesel) e a Atuação (telecomunicação e multimídia).

Perfil – Luiz Girard é graduado em Engenharia Mecânica e Engenharia de Produção pela FEI, com especialização em Engenharia Kaizen pela Efeso Consulenza/Pirelli, pós-graduado em Administração Industrial e Financeira pela Fundação Carlos Alberto Vanzolini da Universidade de São Paulo (FCAV/USP) e tem MBA em Marketing de Serviços, também pela USP. Professor universitário de Administração e Gestão de Negócios, Gestão Empresarial, Marketing e de Metodologias (Lean Manufacturing, Total Plant Management e Six Sigma, entre outras), ele possui experiência de 20 anos nas áreas de Manufatura (Processos, Qualidade, Logística e Operações) e de Negócios (Produtos, Finanças, Comercial e Marketing). Girard atuou na Cofap, Pirelli, Credicard, Orbitall, Credigy e Kaizen. Desde 2008 é o responsável pela gestão financeiro-administrativa, de pessoas, de tecnologia da informação, gestão jurídica, marketing, governança corporativa e planejamento estratégico do grupo Trends Tecnologia.

Ricardo Xavier Recursos Humanos – Qual a estrutura do grupo Trends?

Luiz Girard – São cinco unidades de negócios: Trends Engenharia e Infraestrutura, Atex do Brasil, Principia Software, Atlantis Sistemas de Gestão e a Serviços Digitais. Sou responsável pela gestão empresarial. Todo o staff fica comigo. Desde o Administrativo, o Financeiro, o Contábil, a Gestão de Pessoas, o Jurídico, Suprimentos, Marketing, exceto as partes de Projetos, Comercial e Operacional. Nosso staff presta serviço a todas as empresas da holding e é responsável por acompanhar os resultados de cada uma delas.

Ricardo Xavier RH – Qual o principal business da holding?

Girard – É a Trends Engenharia e Infraestrutura, que atua na área de tecnologia e serviços para transportes, principalmente para o Metrô-SP e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). Ela é uma integradora de soluções para o sistema de transportes. Fornecemos sinalização para a CPTM. Trazemos dos Estados Unidos, nacionalizamos e colocamos na CPTM. Para se ter uma ideia, estamos instalando portas de plataformas no lugar das faixas amarelas do metrô, similar ao que se tem na França, por exemplo. Esse material vem da Coréia do Sul, já que não há fabricação dessas portas na América Latina. Na parte de segurança e monitoramento, fizemos um trabalho interessante para a prefeitura de Campinas (SP). Foi um best in class e virou benchmarking. Montamos um Centro de Operações, no qual colocamos no mesmo local de trabalho o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), a Defesa Civil, a Polícia Militar, os Bombeiros e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET). Em Campinas, instalamos 450 câmeras interligadas por 450km de fibras óticas. Até brincam na cidade, dizendo que lá virou um verdadeiro Big Brother. Ou seja, é possível saber em tempo real o que se passa em determinados locais. Se há um acidente de trânsito, por exemplo, a câmera registra se há vítimas e onde ele aconteceu, facilitando o trabalho das ambulâncias e da própria polícia. Há também um telefone. Por exemplo, se uma pessoa percebe algo suspeito, basta ligar para essa central e dizer o nome da rua que a câmera localizará o que está acontecendo. É um bom atendimento à população. A criminalidade em Campinas diminuiu 40% com a instalação desses equipamentos.

Ricardo Xavier RH – Como funciona o processo?

Girard – Sim. Há uma licitação, com ata de preço e um modelo específico para se instalar. Campinas se tornou referência nesse modelo. Depois veio Osasco (SP), que seguiu na mesma linha, com uma estrutura parecida. Ganhamos a licitação para fornecer monitoramento também para o Rodoanel.

Ricardo Xavier RH – A Atex é responsável por qual operação?

Girard – A Atex trabalha com rádios e softwares. Dos 15 mil ônibus de São Paulo, 8 mil utilizam GPS da Atex. Eles permitem a quem está nos corredores das Avenidas 9 de Julho e Rebouças, por exemplo, saber, através de displays, em quantos minutos o ônibus deverá chegar em determinado ponto. Esses displays são monitorados por GPS e o próprio motorista tem condição de atuar nesse sentido. Se passa por uma rua que tem um buraco, ele aperta o botão que corresponde a buracos e, automaticamente, a informação chega à central de operações da SPTrans, que deverá tomar as devidas providências em relação ao problema. Ou seja, além de monitorar a frota, o software permite que se saiba como está a via. A Atex também atua com máquinas de autoatendimento para recarregar bilhetes em metrôs, CPTM etc. Esse trabalho está sendo feito no México, na Guatemala, e, agora, na Argentina, onde a Atex desenvolveu uma máquina de recarga de bilhetes dentro dos ônibus.

Ricardo Xavier RH – E a Principia Software?

Girard – A Principia é uma software house. Nós comprávamos programas de fora para soluções da Trends, da Atex, da Atlantis etc. Por isso, resolvemos criar uma empresa nesse segmento para prestar serviços ao grupo.

Ricardo Xavier RH – Como funciona a Atlantis Sistemas de Gestão?

Girard - É uma parceria com a Atlantis da Argentina. Ela trabalha no ramo rodoviário, no quesito de software para balanças rodoviárias. A Atlantis tem um grande know-how em balanças de pesagem. Na Argentina, por exemplo, eles conseguem mensurar o peso dos caminhões através de balanças móveis, fotografar a chapa e até enviar a multa pelo correio. Aqui é necessário ter uma base fixa para parar o veículo.

Ricardo Xavier RH - O grupo conta ainda com a Serviços Digitais...

Girard - Essa é a parte de operações do grupo. Hoje, temos um projeto com a SPTrans e o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SP-Urbanuss) para gerenciar todos os terminais rodoviários de São Paulo. 420 funcionários da Serviços Digitais atuam nesses locais, na venda e recarga de créditos.

Ricardo Xavier RH – A Trends tem quantos funcionários?

Girard – São 820 funcionários. Até o ano passado, tínhamos apenas 660 pessoas. Levando em consideração que 2008 foi marcado pela crise financeira internacional, houve um aumento relevante no quadro, próximo de 25%. Principalmente na parte de técnica e projetos. A carteira da Trends quase triplicou em dois anos. Na parte operacional,  chegamos a reduzir o pessoal. Talvez esse número de 25% pudesse ter sido maior se não houvesse essa necessidade de reduzir custos nessa área.

Ricardo Xavier RH – Qual o impacto da crise financeira internacional na Trends?

Girard – Vou explicar como funciona o processo na nossa área. Precisamos dar um sinal de 10% ao fornecedor coreano para recebermos o material do projeto e só aí começamos a produção, que demora 45 dias para o produto final. Pagamos essa produção. O produto é embarcado e são mais 60 dias até chegar aqui. Pagamos  os impostos e começamos a instalar as máquinas, por exemplo, nas estações do Metrô. Nosso cliente faz a medição e, após 30 dias, recebemos. O fluxo de caixa fica complicado. Nesse ponto, a falta de crédito atrapalha. A crise nos atingiu neste sentido. Quanto às pessoas, costumo dizer que, nos 19 anos de carreira, nunca passei por um processo de change management tão intenso quanto aqui na Trends. Houve mudanças monetárias, físicas e em todo o organograma. Fizemos contratações de pessoas que vieram da concorrência. Temos funcionários nos Estados Unidos e na Coréia trabalhando para trazer know-how ao Brasil. Ou seja, fomos obrigados a investir para continuar crescendo.

Ricardo Xavier RH – O desenho organizacional estava consolidado ou evoluiu desde que o senhor entrou no grupo, há dois anos?

Girard – Evoluiu. Houve ajustes nas operações. Ajustamos a empresa sempre de acordo com o cliente.

Ricardo Xavier RH – Como explicar um crescimento tão acentuado? 

Girard – Crescemos 112% e esse resultado é uma conseqüência do que começamos em 2007, para ganhar os contratos que estão em vigência. Tivemos um período de investimento em pessoas, propostas, capacitação, treinamento. Agora, entregaremos esses projetos ao Metrô, à CPTM, à SPtrans.

Ricardo Xavier RH – Qual a expectativa em relação ao projeto de trem-bala, que ligará Campinas ao Rio?

Girard – Pretendemos participar. Somos os representantes dos coreanos aqui no Brasil. A parte de infraestrutura, por conta da Copa e da Olimpíada, deve melhorar bastante.

Ricardo Xavier RH – O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) teve peso nisso?

Girard – Claro. Ele traz condições para impulsionar, libera mais recursos para novas licitações. Há uma série de iniciativas no Brasil que permitem que se avance em infraestrutura, o que nos últimos 40 anos não aconteceu.

Ricardo Xavier RH – 2010 é um ano de eleições. De alguma forma, a meta de crescimento está atrelada a esse processo?

Girard – Há dois lados. O governo que está saindo quer entregar o que estava planejado, e aquele que está entrando quer gerenciar e saber os custos antes de começar a fazer. 

Ricardo Xavier RH – Qual o cenário para este ano?

Girard – O objetivo é manter o crescimento, ou seja, de 2007 a 2010, a empresa quadruplicará de tamanho. Com os projetos em carteira que temos atualmente, cuja média é de 35 meses, o nosso faturamento deve quadruplicar no fim de 2010, em relação ao de 2007. Isso com os projetos que temos em carteira. Existem outras licitações e iniciativas das quais participamos e até mesmo os contratos que já ganhamos, mas que ainda não entraram em fluxo de caixa.

Ricardo Xavier RH – Como gerenciar um crescimento de 25% do quadro de funcionários?

Girard – Com muito trabalho. Sem contar que a comunicação deve ser a melhor possível. Aliás, essa é uma vantagem que a Trends tem em relação às concorrentes. Temos uma estrutura bastante enxuta e o processo de comunicação é decisório. Quando se determina uma diretriz, ela se propaga rapidamente. A transparência e o canal de comunicação facilitam quando se trabalha para uma grande quantidade de pessoas. A comunicação é um processo muito intenso para deixá-las motivadas e ligadas ao negócio. A gente precisa ter um treinamento forte em capacitação e retenção de talentos. A Trends já é vista como uma fonte muito boa de recursos na formação de profissionais. Nesses últimos 40 anos, pouco se investiu. As pessoas que fizeram projetos lá atrás são as mesmas que estão formando outras pessoas agora, e estas serão bastante valorizadas no mercado.

Ricardo Xavier RH – Como a Trends atua na qualificação do pessoal?

Girard – Muito é feito em função das necessidades do cliente e do projeto. Hoje estamos com pessoas nos Estados Unidos. Elas se tornam multiplicadoras para transformar aqui dentro o que trouxeram da experiência externa. Não é necessário mandar a massa toda, mas mandamos alguns e multiplicamos, o que significar reduzir os custos. Claro que não podemos deixar de estar sempre investindo na qualificação do profissional.

Ricardo Xavier RH – Quantos funcionários trabalham no exterior?

Girard – Atualmente, 12 pessoas espalhadas por Argentina, Estados Unidos e Coréia. Também temos americanos e coreanos trabalhando aqui no Brasil.

Ricardo Xavier RH – Qual a ação de treinamento que tem sido priorizada pela Trends?

Girard – O processo decorre da necessidade. Estamos fazendo um projeto em Bucaramanga, na Colômbia, que é similar ao que desenvolvemos para a SPTrans, com corredores de ônibus e rede de infraestrutura,. Ou seja, o treinamento decorre daquilo que a gente precisa entregar.

Ricardo Xavier RH – Que avaliação o senhor faz da qualidade da mão-de-obra no Brasil? O senhor está satisfeito com os currículos que chegam à Trends?

Girard – Sou um pouco suspeito para falar sobre faculdades porque sou professor universitário. Mas percebo que o formando vem muito “cru”. A faculdade coloca o livro na frente do aluno, mas quem terá de virar as páginas desse livro é o aluno. Não adianta sair de uma faculdade, com nome conceituado, e chegar aqui apático, sem iniciativa, sem vontade etc. Se a pessoa não estiver predisposta a entender, não adianta ter formação numa faculdade maravilhosa, porque se aprende muito mais na prática, em paralelo à teoria. Acho que as faculdades poderiam entregar ao mercado uma mão-de-obra melhor.

Ricardo Xavier RH – Como o senhor vê a CLT?

Girard – Chegamos num momento em que a CLT precisa ser redesenhada. Acho que ela poderia se voltar tanto ao funcionário quanto à empresa. Ambos ganhariam. Ela dá pouca flexibilidade para você tratar com funcionários, situações nas quais ele poderia ganhar muito mais do que o previsto na lei. 

Ricardo Xavier RH – O turn-over é baixo?

Girard – Na parte operacional é um pouco maior, mas, comparado às empresas do mesmo segmento, ele é bastante baixo. Na parte de projetos e gerencial é muito baixo.

Ricardo Xavier RH – Qual o diferencial do grupo?

Girard – O grande diferencial da Trends é que ela alia arrojo, flexibilidade e planejamento. Flexibilidade para tratar os clientes, entender a solução de que eles necessitam, porque, muitas vezes, desenhamos soluções que eles nem imaginavam que pudéssemos oferecer. Somos arrojados para conseguir novos contratos, novos nichos e temos planejamento para executá-los, cumpri-los e entregá-los. Em síntese, pioneirismo e vanguarda.



   

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