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Luiz Carlos Calil é formado em Administração de Empresas pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Fez o Programa de Gestão Avançada da Caterpillar, onde está desde agosto de 1969. Começou como office-boy e ocupou as funções de gerente geral do departamento de Planejamento de Recursos de Logística e de diretor de Compras para a América Latina. Em janeiro de 2007, foi promovido a diretor de Logística e Cadeia de Suprimentos da divisão corporativa Motion & Power Control, nos Estados Unidos. Desde 2008, Calil é o presidente da Caterpillar Brasil.

24/02/2010


INDÚSTRIA


Por que a Caterpillar é campeã na gestão de pessoas



O presidente é filho de um ex-motorista da empresa e desenvolveu uma carreira bem peculiar na companhia

Por Wagner Belmonte e Beno Suckeveris


Uma das figuras mais fascinantes já retratadas pela Arte é a do self-made man – aquele que saiu do nada para ser empresário, executivo, personalidade de sucesso. No Brasil, exemplos clássicos são Silvio Santos, um ex-camelô que é um dos símbolos da história da TV - e Amador Aguiar, que começou como office-boy de uma agência bancária, em Birigui, no interior paulista, antes de construir a carreira ímpar no Bradesco.

Bem menos conhecido, mas com uma trajetória parecida com a de Aguiar, é Luiz Carlos Calil. Filho de um ex-motorista do presidente da Caterpillar, multinacional instalada em Piracicaba, a 152 quilômetros de São Paulo, ele começou como office-boy e quando tinha apenas 22 anos já era líder – foi promovido a supervisor, algo atípico na época. Desde 2001, Calil faz parte da alta administração da empresa e, em 2008, com 39 anos de empresa, assumiu a presidência.

Melhor empresa - Mesmo sob a crise financeira do último trimestre de 2008, que se prolongou pelo menos até o fim do primeiro semestre de 2009, Calil não caiu em descrédito com os colaboradores quando precisou tomar decisões doloridas. Obrigado pelas circunstâncias a demitir, reduzir a jornada de trabalho e ainda suspender temporariamente mil funcionários, o executivo comandou pessoalmente o processo com total transparência e um bom suporte das áreas de Recursos Humanos e Comunicação. Praticamente todos os dias, ele se reunia com as equipes para divulgar informações sobre o andamento dos negócios.

Calil não hesitou em participar das pesquisas de Melhor Empresa para trabalhar no Brasil e na América Latina, nas quais, desde 2004, a Caterpillar sempre ocupa posição de destaque. Mas a situação adversa provocada pela crise financeira internacional não impediu que o resultado do ano passado fosse simplesmente espetacular. A companhia foi eleita a melhor empresa para trabalhar no País pelos dois principais levantamentos sobre o assunto, feitos pela Época/Great Place to Work Institute e pelo Guia Você S.A., da Exame. Mesmo diante de diferentes metodologias, o consenso: a Caterpillar é, atualmente, a melhor empresa para se trabalhar no mercado brasileiro.  

História – A octogenária multinacional americana é líder mundial em tecnologia e fornecimento de equipamentos de construção e mineração. Ela atende mais de 200 países e tem mais de 1.500 revendedores em todo o planeta. Em 2009, o grupo teve um lucro de US$ 895 milhões, 75% menor do que o de 2008, o que dimensiona o estrago causado pela crise financeira internacional na organização. A matriz justificou que parte desta redução foi provocada pela retração nas vendas no mercado brasileiro - informação que, por razões de política interna, Calil prefere não comentar.

Para 2010, a expectativa é a melhor possível. A crise já ficou no passado. Mais de 200 pessoas foram recontratadas e a produção está normalizada, com tendência a aumentar nos próximos anos por causa das grandes obras que serão realizadas para sediar a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016, além das obras em andamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Piracicaba – A Caterpillar completa 56 anos no Brasil em 2010. De 1954 a 1976, as operações ficaram centralizadas em São Paulo. Primeiro, num armazém na Lapa, zona oeste da capital paulista e, depois, com a primeira fábrica no bairro de Santo Amaro, na zona sul.

A mudança para o interior teve início em 1973, quando a Caterpillar adquiriu uma área de quatro milhões de metros quadrados em Piracicaba, umas das 50 cidades mais ricas do País e uma das dez maiores exportadoras do Estado. A nova fábrica foi inaugurada três anos depois.

A região possui mais de cinco mil indústrias e é um dos principais pólos produtores de álcool e açúcar do mundo. Piracicaba é sede de importantes empresas, como as metalúrgicas Dedini e Arcelor Mittal, a fabricante de autopeças Delphi, a gigante do agronegócio Cosan e a alimentícia Kraft Foods. Há conceituados centros de ensino universitários na cidade, como a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq/USP) e a Universidade Metodista (Unimep).

A Caterpillar concentra todas as operações em Piracicaba desde 1993, é a 13ª exportadora do Estado de São Paulo. Atualmente, o local tem também uma área de demonstração dos equipamentos.

Responsabilidade social - Um indicador da qualidade da gestão de pessoas é o turnover, que não passa de 1%. Job rotation e avaliação 360º fazem parte das práticas cotidianas do RH. Na fábrica, os mais de quatro mil funcionários recebem suporte do Centro de Treinamento e Desenvolvimento, que oferece cursos presenciais e e-learning, e há investimento em um amplo programa voltado para a segurança e redução de riscos no trabalho. Medicamentos são distribuídos gratuitamente aos funcionários e familiares portadores de doenças crônicas, que também recebem acompanhamento médico periódico. Dependentes químicos contam com um serviço específico de reabilitação.

A Caterpillar também se preocupa com a comunidade e participa ativamente de ações voltadas à educação, saúde, transporte e meio ambiente na região de Piracicaba. Faz parcerias com várias entidades, como a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e o Serviço Social da Indústria (SESI). Projetos de voluntariado são incentivados pela empresa, entre eles, o Pequeno Cidadão, que capacita jovens do bairro mais pobre da cidade para o mercado de trabalho.

Sustentabilidade – A companhia integra o Índice Mundial de Sustentabilidade Dow Jones, da Bolsa de Nova York (NYSE) e é uma das principais doadoras da The Nature Conservancy, uma organização não-governamental que atua na preservação de grandes rios, como o Mississipi, nos Estados Unidos; o Yang Tse, na China; e a bacia Paraná-Paraguai, no Pantanal. Na tragédia do Tsunami (as ondas gigantes) que devastou a Ásia, em 2004, a companhia e os revendedores forneceram equipamentos, máquinas e recursos para a recuperação das áreas atingidas.

A fábrica de Piracicaba tem certificação ISO 14001 há mais de dez anos e possui uma moderna estação de tratamento de efluentes. Não utiliza peças e componentes com metais pesados que contenham substâncias potencialmente nocivas à saúde humana e ao meio ambiente. O processo produtivo tem avançado na reciclagem de materiais e na substituição de substâncias que afetem a natureza.

Os compradores de produtos Caterpillar são orientados sobre a aquisição do equipamento ideal para cada tipo de serviço. Aprendem as técnicas adequadas para não provocar erosão ou outro tipo de dano ao meio ambiente. E o operador das máquinas não é esquecido: equipamentos de proteção, controle de ruídos e de emissões de gases recebem atenção especial da empresa, que ainda desenvolve pesquisas de combustíveis biodegradáveis e apoia um projeto de manejo sustentado para a preservação de florestas tropicais, como as da Amazônia.

A Caterpillar também é parceira dos projetos itinerantes de educação ambiental LixoÚtil e Planeta H20, dedicados ao aproveitamento racional do lixo e da água.

Perfil – Luiz Carlos Calil é formado em Administração de Empresas pela Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Fez o Programa de Gestão Avançada da Caterpillar, onde está desde agosto de 1969. Começou como office-boy e ocupou as funções de gerente geral do departamento de Planejamento de Recursos de Logística e de diretor de Compras para a América Latina. Em janeiro de 2007, foi promovido a diretor de Logística e Cadeia de Suprimentos da divisão corporativa Motion & Power Control, nos Estados Unidos.      Desde 2008, Calil é o presidente da Caterpillar Brasil.

Ricardo Xavier Recursos Humanos – Segundo o presidente do Great Place to Work, Ruy Shiozawa, responsável pela pesquisa das Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil, publicada anualmente pela revista Época, o senhor é um gestor diferenciado. O que o diferencia? Qual o peso que a sua história longa na companhia tem nesse processo? O fato de ser filho de alguém que também trabalhou na empresa ajudou a construir uma carreira na organização?

Luiz Carlos Calil - Acredito que o diferencial da minha carreira sempre foi a postura de empreendedor, de buscar a perfeição em tudo o que faço e oferecer o melhor trabalho possível, superando os próprios recordes. Entrei na Caterpillar em 1969, aos 16 anos, como office-boy. Na época, meu pai era o motorista do presidente e sonhava com o dia em que eu fosse trabalhar naquela que considerava a melhor empresa. Ele me incentivou a ingressar na Caterpillar e, realmente, quando comecei a trabalhar, percebi que estava num lugar especial e que meu pai estava certo. Minha postura como office-boy não era de simplesmente levar correspondência às áreas, mas de uma pessoa necessária, que entregava documentos importantes para pessoas importantes na hora em que elas precisavam. Com esta atitude diferenciada, aos 22 anos, assumi um cargo de supervisão, o que era raro na ocasião. Passei por 24 funções diferentes, inclusive fora do País, até chegar à presidência. Minha indicação à presidência seguiu uma regra tradicional na empresa, que é a de reconhecer e valorizar um profissional dedicado, com espírito empreendedor e que tenha enraizado a cultura da companhia ao longo dos anos; que tenha orgulho do legado que deixará para as próximas gerações. Isto não se conquista com dois ou três anos de trabalho. É preciso muito mais. Isto também não significa que para fazer carreira é preciso ficar décadas na empresa. Temos gerentes jovens e consideramos importante buscar talentos no mercado, até para oxigenar nosso grupo de gestores. 

Ricardo Xavier RH - Na recente entrevista que fizemos com o CEO do GPTW, Ruy Shiozawa [http://www.ricardoxavier.com.br/index.php?acao=entrevistas&subacao=ler&i=77], ele disse que a Caterpillar teve de demitir por causa da crise financeira internacional, mas a forma como ela conduziu esse processo foi diferente, transparente e responsável. Como transcorreu esse “processo diferente”?

Calil - Desde o primeiro momento da crise, em setembro de 2008, iniciamos um processo intenso e transparente de comunicação com todos os funcionários. Por meio de mensagens minhas, reuniões constantes e visitas quase que diárias à fábrica, conversei com todos e fui mostrando a evolução do processo e as dificuldades que teríamos de enfrentar. As ações que tomamos, muitas delas dramáticas, como demitir pessoas e colocar outras mil em layoff,foram compartilhadas e compreendidas por todos na empresa. Tivemos de reduzir a jornada e os salários e obtivemos 100% de aprovação dos funcionários. Muitas empresas se consideram transparentes por informar. Nós vamos além. Buscamos a compreensão de todos em relação ao que está ocorrendo. Esta foi a base do processo de comunicação que sempre praticamos, mas que, durante a crise, foi intensificado. Acredito que transparência e respeito têm sido fundamentais nos nossos altos índices de engajamento. Creio também que quem não tiver um time altamente participativo e com espírito empreendedor, dificilmente sobreviverá nas próximas décadas.

Ricardo Xavier RH - -Shiozawa também mencionou o trabalho de motivação que o senhor faz com os funcionários. Como exemplo, ele citou que o senhor mostrou a um pintor como o trabalho dele é fundamental na qualidade do processo final e destacou que o senhor procura fazer isso com funcionários dos mais diversos níveis, integrando-os a um todo. Qual a receptividade que o senhor sente a essa iniciativa? Ela traz mudanças substanciais?

Calil - Não existe trabalho que não seja importante e necessário, por isso é importante respeitar e despertar nas pessoas o espírito empreendedor. Mostrar a relevância do trabalho de cada uma para o sucesso da empresa. O trabalho do pintor, por exemplo, reflete a primeira impressão que o cliente terá do nosso produto. É assim que ele deve encarar o trabalho e buscar a perfeição em termos de qualidade. O diferencial de nossas máquinas está na tecnologia de ponta, nas pessoas e na maneira como encaramos os desafios na busca por inovações e melhoria contínua.

Ricardo Xavier RH - Há seis anos seguidos, a Caterpillar está entre as melhores empresas para trabalhar no Brasil. No ano passado, foi a primeira do ranking das duas principais pesquisas. Qual o segredo?

Calil - Nossa estratégia se inicia com ambiente e pessoas, valorizando-as e dando o suporte necessário para que trabalhem com segurança e eficiência, praticando valores sólidos, criando oportunidades de desenvolvimento e capacitação, além de buscar equilibrar a vida profissional com a pessoal. Desenvolvemos continuamente nossos líderes e contamos com uma boa estrutura de profissionais de RH para assegurar a robustez do nosso processo de gestão de pessoas. Outro ponto importante é o envolvimento dos funcionários na estratégia de negócios, o que faz com que todos saibam a importância de seus papeis, além do incentivo constante de contribuir para melhorias. Quando as pessoas vivenciam a empresa, como é o que acontece em nosso ambiente, elas olham para o trabalho como se fossem donas. É como se aqui como fosse a segunda casa delas. Isto não acontece por acaso. É fruto de um trabalho criterioso, transparente e sempre aberto a ouvir as sugestões de melhoria para incorporá-las às nossas práticas. Acredito que este contexto nos credencia a estar entre as melhores empresas para se trabalhar.

Ricardo Xavier RH - Qual a repercussão interna das premiações? Os funcionários estão mais motivados?

Calil - A repercussão foi muito positiva, pois aflorou ainda mais o orgulho que os funcionários têm em trabalhar na empresa. Todos se sentiram presenteados. Afinal, enfrentamos o mais difícil momento de nossa história e, mesmo em dificuldades, buscamos preservar ao máximo os empregos. O clima foi de muito orgulho para os funcionários e seus familiares por este reconhecimento público.

Ricardo Xavier RH - A matriz americana anunciou recentemente que teve um lucro de US$ 895 milhões em 2009. O resultado foi 75% menor do que o registrado em 2008. Parte desta queda foi atribuída à redução das vendas no mercado brasileiro. A explicação está correta? A retração no mercado brasileira foi tão extensa?

Calil - Os resultados apresentados são consolidados, e pelas diretrizes corporativas, não podemos comentar por País. Mas posso assegurar que o mercado brasileiro tem sido bom para os nossos negócios.

Ricardo Xavier RH - A empresa é uma das principais exportadoras do País. Quanto da produção se destina ao exterior?

Calil - A Caterpillar Brasil é 13a maior exportadora do Estado de São Paulo. Não podemos divulgar o quanto destinamos ao mercado externo. Destacamos que a América Latina é um mercado natural para nosso tipo de equipamento, mas temos demanda para mais de 100 países.

Ricardo Xavier RH - Desde 2001, o grupo investe na geração de energia. Qual o percentual desta divisão nos ganhos da empresa?

Calil - A geração de energia é uma importante área para nós, mas não podemos comentar mercados isoladamente. A empresa só divulga dados consolidados.

Ricardo Xavier RH - Qual o faturamento em 2009 e qual a expectativa para 2010? Há planos de novas contratações e de novos lançamentos? Os investimentos devem ser retomados?

Calil - Não divulgamos faturamento por País. Acreditamos em boas perspectivas no mercado interno, que continua aquecido em função dos investimentos em infraestrutura e também nas obras que a Copa do Mundo e a Olimpíada demandarão. Alguns mercados externos, como é o caso da América Latina, acenam com crescimento de demanda em 2010. Em relação às contratações, temos expectativas positivas. Recentemente, contratamos mais de 200 pessoas - a maioria são ex-funcionários que foram desligados no começo da crise. Destacamos que conseguimos preservar os mil funcionários que estavam em layoff no segundo semestre do ano passado. Abrimos vagas para alunos de escolas técnicas de Piracicaba e incentivamos jovens sem experiência a ingressar no mercado de trabalho.

Ricardo Xavier RH – Qual é o turnover?

Calil - Nosso turnover é baixíssimo, menos de 1%.

Ricardo Xavier RH - Como funciona a parceria com a APAE de Piracicaba?

Calil - Nossa parceria existe desde 1993 e, atualmente, temos 17 aprendizes que executam serviços administrativos e na área de distribuição de peças de reposição, com a supervisão de profissionais da APAE. Temos também um projeto amplo de inclusão social e profissional, o Pequeno Cidadão, do qual particularmente me orgulho. Proporcionamos a 65 jovens do Bosque dos Lenheiros, o bairro mais carente de Piracicaba, a oportunidade de vivenciar valores e resgatar a cidadania, essencial para termos pessoas diferenciadas em nossa sociedade e que visem o bem comum. Estamos também empenhados na capacitação técnica dos jovens da nossa cidade, inclusive abrindo vagas para estudantes talentosos sem experiência.

Ricardo Xavier RH - A empresa pratica e-learning? E avaliação 360º? O senhor, como gestor, incentiva job rotation?

Calil - Sim. Nosso Centro de Treinamento e Desenvolvimento tem três mil metros quadrados dedicados ao aprendizado, que oferecem mais de 700 cursos de autoinstrução e quatro mil cursos online, além dos cursos presenciais. Há vários anos temos avaliação 360º para os gestores. Considero o job rotation fundamental no processo de treinamento de desenvolvimento de carreira. Além da oportunidade de treinar um bom profissional em diversas áreas, ampliando seu conhecimento, esta ação é uma forma de estimular os talentos e criar novas perspectivas aos profissionais envolvidos.

Ricardo Xavier RH - A qualidade da mão-de-obra que chega das universidades satisfaz as exigências da Caterpillar? A educação brasileira é um problema que preocupa a organização?

Calil - A região onde estamos instalados conta com universidades de primeira linha, com as quais mantemos convênios. Nossos jovens universitários ingressam como estagiários e muitos fazem carreira na empresa. Hoje, o grande problema que enfrentamos é a falta de formação técnica em nível médio para atender nossas necessidades de produção. Para dar uma idéia desta distorção, dos mais de 100 mil currículos disponíveis no nosso banco de dados, mais da metade é de profissionais universitários, na maioria administradores, engenheiros, advogados e profissionais de informática. Entretanto, mais de 90% de nossas contratações têm sido para cargos operacionais, cuja exigência é o ensino médio profissionalizante. Somos uma empresa de soldadores, montadores, mecânicos, mecatrônicos, pintores e precisamos de profissionais capacitados. Um exemplo da nossa dificuldade é o serviço de transporte de funcionários, que alcança 15 cidades, algumas a 60 quilômetros da empresa. Para melhorar este quadro, estamos trabalhando com a Prefeitura de Piracicaba para incentivar os jovens a ingressarem no curso técnico e já contratamos diversos alunos desses cursos. A formação técnica é a porta de entrada de muitos jovens no mercado de trabalho e, a partir dessa experiência, ele poderá, em seguida, cursar uma universidade como plano para a sua carreira. Antes de avaliar os problemas do curso superior, precisamos de bons profissionais de nível médio, e estes estão em falta.

Ricardo Xavier RH - Quais os principais ações da Caterpillar em termos de preservação ambiental na operação brasileira?

Calil - Temos uma fábrica limpa, certificada pelo ISO14001. Um dos nossos diferenciais é o programa de coleta seletiva de materiais, cuja verba é revertida em materiais escolares para os filhos dos funcionários. Também temos um programa de conservação de energia e a reciclagem da água utilizada é feita na nossa estação de tratamento.

 

 



   

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