
23/08/2009
Como manter uma liderança eficaz
Hélio Terra
Reli recentemente uma coleção de artigos do sábio Peter Drucker que me fizeram refletir sobre o perfil do líder nos dias atuais. Lendo textos escritos pelo famoso guru há décadas, percebo que, na verdade, as exigências feitas aos líderes em meio à crise não mudaram, só estão sendo cobradas com mais afinco. A receita para uma boa liderança continua a mesma, porém, talvez agora as empresas estejam dando a devida importância ao assunto, pois mais do que nunca é preciso promover ações para motivar e manter a produtividade.
Todos estão percebendo que não é só a sorte que faz as empresas se manterem de pé, mas também – e principalmente – muito trabalho, pesquisa, organização e comprometimento, ainda mais quando o cenário econômico é instável.
No Brasil, felizmente, as coisas continuam caminhando. Como a crise afetou mais a Europa e os Estados Unidos, muitas empresas têm se interessado e buscado informações com o objetivo de investir no País, o que deve fazer ressurgir a disputa por talentos, que, devido à crise, está menos acirrada. Líderes, portanto, preparem-se! Este é o momento mais que oportuno para manter seus talentos e motivá-los, tornando-os ainda melhores para essa retomada de crescimento que se aproxima.
A verdade é que a preocupação com a retenção de talentos nunca deve ser deixada de lado. O capital humano da empresa é o seu maior bem. Muitas organizações pensam primeiro em demitir quando escutam a palavra crise, ou quando percebem uma pequena queda no faturamento. Demitir deve ser a última opção. Deve-se aproveitar a pequena “ociosidade” dos profissionais para treiná-los, algo que geralmente não é possível quando eles estão em atividade intensa.
Além disso, o líder deve olhar a empresa como um todo. Analisar o cenário antes de tomar as decisões. Drucker afirma que o gestor deve ser o responsável por canalizar recursos e iniciativas da empresa para oportunidades que prometem resultados economicamente consideráveis, pois vários estudos mostram que o grosso do tempo, do trabalho, da atenção e do dinheiro das empresas vai, primeiro, para os “problemas”, e não para as oportunidades; e, segundo, para áreas nas quais até um desempenho espetacular terá impacto mínimo sobre os resultados.
É preciso assertividade na tomada de decisões, para elaborar uma estratégia assertiva e comandar corretamente a equipe. O líder deve também se perguntar: qual o principal problema? “É difícil achar algo tão inútil quanto fazer com grande eficiência algo que simplesmente não deveria ser feito”, diz Drucker. E, por último: qual o princípio? Ter coragem de não arredar pé de uma decisão lógica, apesar de todos os pedidos para que esse ou aquele produto receba outra chance.
O gestor precisa ainda manter-se atualizado sobre o mercado em que atua, apoiar e incentivar as ideias de sua equipe, pois, “embora o trabalho possa parecer diferente em cada empresa, uma verdade básica estará sempre presente: todo produto e toda atividade de uma empresa começam a envelhecer assim que são criados”. É preciso se perguntar: “Se não estivéssemos nessa área, entraríamos nela agora? E se a resposta for não, a questão seguinte deve ser: como sair disso, e com rapidez?” (Drucker)
Tendo reorganizado a estratégia e tomado as decisões, é hora de colocá-las em prática com a equipe e fazer as coisas funcionarem, a parte mais difícil. Para isso, comunicação eficiente é fundamental. Exponha a seus colaboradores quem é você, quais são seus valores e a colaboração que pretende dar. Em seguida, pergunte o mesmo a eles. Uma organização já não se constrói na base da força, mas da confiança. A existência de confiança entre as pessoas, porém, não significa necessariamente que uma goste da outra, apenas que uma entende a outra.
É preciso compreender o jeito como a outra pessoa trabalha e incentivá-la para que tenha produtividade à sua maneira. Segundo Drucker, muita gente trabalha de um jeito que não é o seu, fórmula quase certa para o baixo desempenho. Para o trabalhador do conhecimento, saber como é o seu desempenho talvez seja mais importante do que saber quais são seus pontos fortes.
Por fim, vale lembrar outras dicas do guru para tornar o líder mais eficaz:
- Pergunte: o que precisa ser feito? O que é bom para a empresa?
- Crie planos de ações.
- Assuma sua responsabilidade pelas decisões e pela comunicação.
- Foque oportunidades em vez de problemas.
- Faça reuniões produtivas.
- Pense e diga “nós” em vez de “eu”.
E, por fim, a regra básica para qualquer gestão eficaz: ouça primeiro, fale por último. A receita não mudou, só o modo de agir.
(Estado de Minas - 23/08/2009)
* Hélio Rangel Terra, formado em Ciências Contábeis com pós-graduação em Harvard, é Presidente da Ricardo Xavier Recursos Humanos.
E-mail: helioterra@ricardoxavier.com.br