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27/09/2009
A frase mais comum dita por muitos executivos americanos atualmente é “I used to be a doctor, but now I’m a nurse”. Algumas dessas frases são acompanhadas de um sentimento de grande frustração, outras de otimismo, pela possibilidade de voltar a ser doctor, e outras ainda por um certo conformismo, com base no fato de que é melhor ter isso do que nada.
Com a crise financeira, não há empregos para todos, e muitos executivos tiveram que aceitar o rebaixamento de cargos e salários para se manter no mercado, principalmente na Europa e na América do Norte.
A novidade é que muitas empresas estão tentando reverter esse quadro e, apesar de não poderem acompanhar os salários de seis dígitos que costumavam ser pagos em Wall Street, elas buscam outras alternativas para motivar e incentivar seus profissionais por meio de reconhecimento não financeiro, como oportunidades de carreira e ações para melhora de clima de trabalho e qualidade de vida.
O maior incentivo, porém, deve partir do próprio profissional. Mais do que nunca é preciso trabalhar o emocional para evitar a frustração da perda de um cargo de diretoria. Todos sabem que não é um momento fácil, mas não se pode esquecer que muitas pessoas estão passando por isso, no mundo inteiro. Logo, essa não será uma derrota profissional ou uma mancha no currículo, mas sim uma fase ruim do cenário econômico que afetou a todos.
Como doctor ou como nurse, o importante agora é manter-se no mercado de trabalho, manter-se “na ativa”. Isso proporciona a constante atualização, networking e também a oportunidade de ter conhecimento de novas vagas antes que elas sejam divulgadas. Estar no ambiente onde as coisas acontecem ainda é uma vantagem e algo que chama a atenção dos headhunters.
Além disso, a economia começa a dar sinais de recuperação e é preciso trabalhar duro para recuperar o prejuízo. Apesar das previsões de que o crescimento econômico mundial não alcançará os mesmos índices obtidos até setembro do ano passado, várias circunstâncias levam a crer que o cenário para o Brasil é bastante favorável.
Há pouco, um importante veículo de comunicação divulgou notícia que apontava várias empresas brasileiras cujas histórias de administração viraram cases em grandes universidades do mundo inteiro. Em janeiro deste ano, um pesquisador da conceituada Harvard Business Review visitou a Gafisa para conhecer a sua história. Além dela, outras empresas como Vale, Alpargatas e Casas Bahia têm seus cases estudados em universidades importantes espalhadas pelo mundo, universidades essas que formarão presidentes de empresas, investidores, pessoas que farão muita diferença no mundo dos negócios. E, embora esse seja um progresso a ser obtido a longo prazo, o nome do Brasil está lá, e é isso o que realmente importa.
Não só as universidades, porém, estão interessadas no País: muitas empresas também já cogitam, estudam ou anunciam investimentos por aqui. Isso mostra que as oportunidades podem estar mais próximas do que se possa imaginar.
Por isso, não há lugar para frustração, depressão ou desistência. Doctor ou nurse, é hora de arregaçar as mangas e focar na possibilidade de crescer na empresa, de voltar a ser doctor, mas para isso é preciso fazer a diferença. E lamentar o cenário econômico ou procurar culpados agora não ajudará em nada.
Neste momento, não importa quantos MBAs ou cargos de alto nível constam no seu currículo, mas a sua capacidade de trabalhar em equipe, de lidar com frustração, de motivar, enfim, as competências que farão de você um profissional não insubstituível, mas único. (Estado de Minas - 27/09/2009)
* Hélio Rangel Terra, formado em Ciências Contábeis com pós-graduação em Harvard, é Presidente da Ricardo Xavier Recursos Humanos.
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