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Vladimir Araújo

04/10/2009
Muitas têm sido as informações divulgadas sobre questões ambientais – os tsunamis voltaram a apavorar populações na Ásia – especialmente agora que os maiores especialistas mundiais do setor se preparam para mais uma grande rodada de discussões em Estocolmo, na Suécia, em dezembro próximo.
Nota-se que são muitas as abordagens da questão ambiental, sobretudo quando se põe em xeque o balanço entre agressão ambiental e produção de bens e serviços capazes de tornar melhor o dia-a-dia de milhões de pessoas. Vendo a questão de uma maneira simplista, para facilitar o entendimento, vale dizer que viajar de automóvel é muito confortável, mas sabe-se que essa máquina emite gás carbônico que é altamente nocivo aos pulmões e, como se não bastasse, mexe com a camada de ozônio, deixando as espécies à mercê de raios ultravioleta e suscetíveis a sérias doenças. O mesmo se pode dizer das viagens de avião, e até da transformação de capim em bifes, pois também já é bastante conhecida a tese de que as 180 milhões de cabeças de gado existentes no Brasil compõem um potente emissor de gases altamente colaborativos ao famigerado efeito estufa.
Ainda há muita polêmica ante assuntos da Natureza, especialmente quando se sentam à mesa os mais apaixonados. Não há dúvida, porém, de que algo tem de ser feito e, para tanto, é fundamental a ação do empresariado, uma vez que não há ninguém mais afeito a reciclagens, pois ela sempre esteve e sempre estará no âmago da sobrevivência das empresas.
Ainda recentemente, duas grandes redes empresariais ligadas ao setor de varejo – Pão de Açúcar e Wall Mart – divulgaram, em matéria deste jornal, que estão a aproveitar resíduos de suas atividades para enriquecer sua atuação no mercado. A rede Pão de Açúcar decidiu recolher e aproveitar as embalagens que sobram em suas lojas. Ao abastecer as gôndolas, sobram caixas que, no total, representam algo em torno de 500 toneladas por mês, sendo metade de papel e papelão. Toda essa matéria-prima é recolhida por uma cooperativa de catadores de papel que têm a missão de encaminhar tudo a um fabricante de embalagens que, por sua vez, produz o material reciclado que vai envolver os produtos da marca Taeq, criada pela própria rede Pão de Açúcar.
No Wall-Mart o processo é semelhante, só que o foco está na reciclagem do óleo de fritura, antes descartado por uma empresa do grupo. São 2,3 mil toneladas de óleo por mês. Esse óleo, agora, é recolhido e levado para uma empresa do Rio Grande do Sul, onde é reciclado e fornecido como matéria-prima para a fabricação de sabão em barras. Esse mesmo sabão volta às lojas para ser vendido aos consumidores na rede Wall-Mart a preço 25% mais em conta do que a marca concorrente.
Como esses, existem muitos outros programas empresariais, criativos e essenciais ao ambiente. Existem até organismos internacionais que se preparam a dar respostas cada vez mais precisas para que empresas se auto-sustentem. Deve-se, no entanto, atentar para o fato, geralmente despercebido, que é a ação da mão-de-obra. Para que tenham sucesso, esses empreendimentos ecológicos/sustentáveis têm de ser administrados por pessoas que passaram por treinamento salutar e condizente com o projeto maior da empresa, que é o de trabalhar de forma integrada e sistêmica.
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