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07/02/2010
Encontrar a solução para lidar com a aposentadoria de seus líderes tem sido o pesadelo de grandes, médias e pequenas empresas há muito tempo. Muitas não sabem nem por onde começar a sucessão e acabam fazendo isso às pressas, ou sem o planejamento necessário. Não é preciso dizer que um erro nessa fase pode romper todo um ciclo produtivo do grupo. Para evitar que isso aconteça, portanto, é fundamental efetuar ações diárias para manter a comunicação e excelência da equipe e, assim, parar de encarar a sucessão como um problema.
O primeiro passo para manter a produtividade da empresa e efetuar boas sucessões, ao contrário do que parece, não é tão complicado e pode ser feito por todos os colaboradores da companhia: cuidar da Gestão do Conhecimento, ou GC, sigla pela qual ela é conhecida. O tema não é novidade, mas tem ganhado mais força atualmente no mundo corporativo. O escritor americano Alvin Toffler afirmou, em seu livro, A Terceira Onda, que essa é a terceira grande revolução com o poder de mudar profundamente a humanidade - depois da Revolução Agrícola, há cerca de 10 mil anos, e da Industrial, há quase três séculos.
A afirmação de Toffler não foi um equívoco, e as empresas sabem disso. O maior valor agregado de uma companhia é seu capital humano e o conhecimento que ele traz. As informações, porém, se multiplicam rápido e acabam ficando dispersas nas cabeças dos colaboradores ou nas rotinas e processos de cada departamento. Assim, para tirar proveito dessa matéria-prima, é fundamental criar uma estrutura da Gestão do Conhecimento que possibilite a captação e o compartilhamento do conteúdo gerado.
Atentas a essa necessidade, muitas empresas já começaram a investir em GC usando como ferramenta básica a internet. A maioria das companhias hoje dispõe de uma intranet - portal para troca de informações entre os colaboradores da empresa. Há algumas que já se integraram tão bem à ferramenta que a utilizam até para recrutamento e feedback. Dessa forma, os profissionais têm acesso às vagas internas e podem se cadastrar ou também fazer testes para avaliar sua empregabilidade e a necessidade de treinamento.
Há ainda companhias que investiram em universidades corporativas, promovendo cursos onlines e às vezes presenciais, com o objetivo de unificar os conhecimentos.
Todas essas ações contribuem não apenas para manter a competitividade da empresa, que atua de forma mais integrada, com todos os seus colaboradores “falando a mesma língua”, mas também para a motivação dos profissionais, que se sentem realmente integrados no processo e parte importante para o desenvolvimento da empresa.
Vale lembrar, no entanto, que para que a Gestão do Conhecimento ser realmente efetiva, não é preciso apenas uma boa área de TI, mas acima de tudo bons líderes, preparados para mostrar a real importância desse projeto aos seus colaboradores. Isso precisa ser ressaltado, pois em um ambiente competitivo, é comum que muitas pessoas não queiram dividir o que sabem, por acreditarem que isso manterá sua empregabilidade. Esse mito deve ser extinto por meio de um bom trabalho de informação e conscientização, ou a empreitada não terá sucesso.
Além disso, antes de começar este projeto, é preciso ouvir com atenção os colaboradores da empresa. Lembre-se que eles são os maiores interessados e afetados, e podem ter importantes sugestões a agregar.
Por fim, como afirmou Toffler, a revolução já começou e não há tempo a perder. Se as empresas reconhecerem a importancia de gerir seu conhecimento e começarem a fazer isso já, de forma planejada, seus profissionais estarão sempre preparados para lidar com as mudanças, o que inclui as sucessões, e não haverá o que temer, apenas o que comemorar.
*Hélio Rangel Terra, formado em Ciências Contábeis com pós-graduação em Harvard, é Presidente da Ricardo Xavier Recursos Humanos.
E-mail: helioterra@ricardoxavier.com.br
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